terça-feira, 2 de junho de 2009

"na verdade, não há"

“E se fosse comigo?” Eu, pelo menos, tenho medo de avião por que avião foi feito para cair. Nem me venham com aquelas manjadas estatísticas que comprovam que automóveis são mais perigosos que aviões, pois automóveis foram feito pra transportar sobre quatro rodas e avião, sobre nenhuma. Simples assim. Eu resisto a acreditar que o avião não seja nada mais do que um amontoado de aço e metal arremessado no ar com pessoas dentro. Tudo bem que tem rota pré-estabelecida e uma pessoa tentando comandar, mas basta uma panezinha elétrica aqui ou uma distraçãozinha ali, que o amontoado recupera sua natureza aleatória e imprevisível. E como todo ser humano que se preza tem reservas com o que seja aleatório e imprevisível, tenho medo de avião pois se ele assume esta natureza, estarei diante de meu maior pesadelo.
Sim, tenho medo de morrer e principalmente de morrer tão assim no meio do caminho. Como disse a uma amiga, no meio do caminho já basta a pedra. Acho morrer a caminho de uma reunião de negócios, no meio de uma escala para Pequim ou na viagem de lua de mel uma tremenda banalização do evento morte. Por diferentes que sejam as crenças, não há que se negar: a morte é um evento importante. E acho que deve ser ruim ser pego de surpresa, sem que tenhamos tempo de ver uma última vez que seja aquela pessoa que amamos e que ficou esperando nossa ligação pela manhã dizendo que chegamos bem e que também estamos com saudade, de ouvir aquela música que nos faz sentir tão bem, de ver aquelas fotografias do tempo de criança, de estar cercado de amigos e se sentindo amado. Deve ser ruim deixar coisas por fazer, não ter mais tempo de deixar melhores lembranças, os únicos verdadeiros bens que deixamos.

2 comentários:

Luciana disse...

É, querido, mas estas são as regras do jogo. Não tem jeito! Precisamos estar preparados para isso. O avião é só um jeito (bem chocante e drástico, claro) disso acontecer.
Só nos restar acreditar em alguma coisa, ter alguma fé para entender isso com mais calma.
Beijos

Unknown disse...

É, seu moço. Fazia tempo que não passava por aqui... Gostei especialmente desse post, que deveria falar sobre a queda do avião, mas que acabou focando no tema morte. Interessante o "morrer no meio do caminho", mas... por mais que saibamos que morte nada mais é que transição, cabe repensar a forma de viver a vida e tentar, de alguma forma, tornar cada momento (por mais banal que seja) inesquecível!!!
Bjocas e té mais.